A Nikon SLM Solutions e a Bosch Industry Consulting uniram forças em um marco histórico para a engenharia automotiva ao produzirem um bloco de motor V8 em alumínio completo em uma única peça, utilizando a liga AlSi10Mg. A fabricação ocorreu no Centro de Soluções Aditivas da Bosch em Nuremberg, na Alemanha, por meio do avançado sistema multilaser NXG XII 600.
O projeto eleva a manufatura aditiva de metal além da simples prototipagem, provando que a tecnologia pode competir diretamente em aplicações complexas e de alto valor agregado com os métodos de produção convencionais.
Na indústria tradicional, a fabricação de um bloco de cilindros por fundição exige moldes e ferramentas complexas, o que demanda semanas ou meses de desenvolvimento e validação antes que a primeira peça saia da linha de produção.
Além disso, qualquer revisão posterior no design resulta em retrabalhos caros e demorados, restrições geométricas e de tempo que foram totalmente eliminadas pela impressão 3D, que gera formas complexas diretamente a partir do arquivo digital.
Fim da fundição tradicional e liberdade geométrica
Essa liberdade de criação permitiu a integração de recursos inovadores que seriam difíceis ou antieconômicos de fundir, como canais internos de resfriamento otimizados dentro do bloco, estruturas com peso reduzido e a fusão de várias partes que antes seriam separadas em um único corpo sólido.
Trabalhando segundo os princípios do DfAM (Design for Additive Manufacturing), o material foi aplicado estritamente onde a análise estrutural exigia, resultando em um componente consideravelmente mais leve do que o equivalente fundido, sem nenhuma perda de desempenho, o que é essencial para o automobilismo e motores de alta performance.
Para tirar o motor do papel, a Bosch contribuiu com décadas de conhecimento fabril como uma das maiores fornecedoras do setor automotivo, enquanto a Nikon SLM Solutions entregou a plataforma de produção, a qualificação de materiais, o desenvolvimento dos parâmetros do processo, softwares de garantia de qualidade e engenharia de aplicação.
A cooperação entre as duas gigantes joga luz sobre o futuro da manufatura em larga escala, visto que se estima que cerca de 60% a 80% dos componentes de um veículo pronto venham de fornecedores de primeiro e segundo nível, e não das montadoras em si.
Dessa forma, os parceiros argumentam que, para a manufatura aditiva se tornar verdadeiramente escalável na indústria de carros, ela precisa se consolidar fortemente em toda a base de fornecedores globais, deixando de ser um recurso restrito apenas aos centros internos de desenvolvimento das fabricantes.



