Pesquisadores dos EUA conseguem acelerar impressão 3D de organóides estomacais

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Cientistas do Cincinnati Children’s Hospital, em colaboração com a Universidade de Nantes, desenvolveram um sistema de cultura confinado. A metodologia acelera a maturação de organoides humanos, incluindo estruturas estomacais e intestinais, utilizando moldes feitos por impressão 3D. O procedimento reduz drasticamente o tempo necessário para gerar tecidos biológicos complexos prontos para estudos e transplantes.

Inicialmente, o processo convencional de cultivo exigia cerca de 28 dias para atingir a maturidade ideal. O novo sistema alcança o mesmo resultado em apenas 14 dias, utilizando uma matriz de polidimetilsiloxano fabricada a partir do molde de impressão 3D. Aproximadamente quatro mil esferoides celulares são inseridos em canais longitudinais específicos para guiar o crescimento.

Com isso, o confinamento força as células precursoras a se fundirem e se alongarem em formatos tubulares organizados. Após 10 semanas de testes em modelos animais imunocomprometidos, os enxertos cultivados atingiram 8 cm de largura. O método tradicional gerava tecidos de apenas 1 cm no mesmo período de tempo. Os pesquisadores também registraram uma melhora significativa nas taxas de aceitação do transplante pelo organismo receptor.

Ilustrações demonstram avanço de organóide com impressão 3D - Divulgação / Poling, HM, Noël, T., Singh, A. et al.
Ilustrações demonstram avanço de organóide com impressão 3D – Divulgação / Poling, HM, Noël, T., Singh, A. et al.

Além disso, a abordagem gerou o codesenvolvimento espontâneo de um sistema nervoso entérico funcional nos tecidos. O avanço biológico dispensa a introdução separada de células exógenas da crista neural, uma exigência obrigatória nos protocolos científicos antigos. A atividade contrátil neuromuscular dos organoides operou de forma semelhante ao tecido intestinal humano nativo. O comportamento idêntico foi validado tanto em organoides colônicos quanto nos gástricos.

O que dizem os pesquisadores

Em depoimentos extraídos pelo portal VoxelMatters, o co-autor do estudo James Wells, PhD, destacou o avanço para novos estudos: “A simplicidade, a reprodutibilidade e a versatilidade desta plataforma tornam-na acessível para ampla adoção. […] Além disso, o surgimento de um sistema nervoso auto-organizado dentro desses organoides é particularmente importante para futuros estudos de distúrbios do neurodesenvolvimento.”

Michael Helmrath, MD, codiretor do Centro de Medicina de Células-Tronco e Organoides do Cincinnati Children’s Hospital acrescentou que ainda são necessários mais testes antes de ensaios clínicos com humanos, mas sem descartar as possibilidades terapêuticas a longo prazo.

“Acreditamos que esses tecidos, uma vez transplantados, cresceriam e se multiplicariam ainda mais como parte do próprio órgão do paciente, restaurando suas funções”, concluiu.

+Veja o estudo completo, em inglês, clicando aqui

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